Autismo e TDAH no Brasil: os números oficiais

Em 2022, pela primeira vez, o Censo brasileiro perguntou sobre autismo. Esta página reúne o que os dados oficiais dizem — e, com o mesmo cuidado, o que eles não dizem. Todos os números vêm de fonte pública, com o link ao lado.

Fontes conferidas na origem em 7 de setembro de 2026 · IBGE (Censo 2022) e Ministério da Saúde

Autismo: o que o Censo de 2022 contou

O IBGE incluiu no questionário da amostra uma pergunta sobre autismo: se algum morador do domicílio já havia sido diagnosticado por um profissional de saúde. É a primeira contagem oficial do tema no Brasil.

2.405.337pessoas com diagnóstico de autismo no BrasilIBGE · Censo 2022
1,2%da população residente no PaísIBGE · Censo 2022
214.637pessoas no estado do Rio de Janeiro — 1,3% da populaçãoIBGE · SIDRA tabela 10145
2,6%entre crianças de 5 a 9 anos: a faixa de maior percentualIBGE · Censo 2022

A diferença entre meninos e meninas é a maior do conjunto

Entre 5 e 9 anos — a faixa de maior percentual do País — o diagnóstico alcança 3,8% dos meninos e 1,3% das meninas. São cerca de 2,9 meninos diagnosticados para cada menina na mesma idade. A distância encolhe conforme a idade sobe e praticamente desaparece a partir dos 45 anos, quando os percentuais se igualam em torno de 0,9%.

Percentual com diagnóstico de autismo, por sexo e faixa etária — Brasil, 2022

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (resultados preliminares da amostra), Tabela 12.

Meninos Meninas
Percentual de meninos e meninas com diagnóstico de autismo, por faixa etária — Brasil, 2022O pico está entre 5 e 9 anos: 3,8% dos meninos e 1,3% das meninas. A diferença diminui com a idade.0%1%2%3%4%Meninos, 0–4: 2,9%2,9%Meninas, 0–4: 1,2%1,2%0–4Meninos, 5–9: 3,8%3,8%Meninas, 5–9: 1,3%1,3%5–9Meninos, 10–14: 2,7%2,7%Meninas, 10–14: 1,0%1,0%10–14Meninos, 15–19: 1,8%1,8%Meninas, 15–19: 0,9%0,9%15–19Meninos, 20–24: 1,2%1,2%Meninas, 20–24: 0,8%0,8%20–24

O Censo mede diagnóstico recebido, não ocorrência do autismo. A diferença entre os sexos é, antes de tudo, uma diferença de quem chega ao diagnóstico — e é um dos motivos pelos quais meninas costumam ser avaliadas mais tarde.

O diagnóstico se concentra na infância

A curva por idade tem uma forma clara: sobe até os 5–9 anos, cai ao longo da adolescência e estaciona perto de 0,9% em toda a vida adulta — um platô que se mantém até os 70 anos ou mais. O Censo não explica a diferença entre o pico infantil e o platô adulto; ele apenas mostra que ela existe.

Percentual da população com diagnóstico de autismo, por faixa etária — Brasil, 2022

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (resultados preliminares da amostra), Tabela 12. Passe o cursor sobre cada barra para ver o valor.

Percentual da população com diagnóstico de autismo, por faixa etária — Brasil, 2022O diagnóstico se concentra na infância, com pico de 2,6% entre 5 e 9 anos, e cai para um platô próximo de 0,9% na idade adulta.0%1%2%3%0–4: 2,1%2,1%0–45–9: 2,6%2,6%5–910–14: 1,9%10–1415–19: 1,3%15–1920–24: 1,0%20–2425–29: 0,9%25–2930–34: 0,9%30–3435–39: 0,9%35–3940–44: 0,8%40–4445–49: 0,9%45–4950–54: 0,9%50–5455–59: 0,9%55–5960–64: 0,9%60–6465–69: 1,0%65–6970+: 1,0%70+

No Rio de Janeiro, o percentual é maior em todas as idades da infância

O estado do Rio de Janeiro registra 1,3% da população com diagnóstico de autismo, contra 1,2% do Brasil. A diferença é pequena, mas é consistente: o Rio fica acima da média nacional em todas as faixas etárias de 0 a 19 anos — 2,3% contra 2,1% de 0 a 4 anos; 2,8% contra 2,6% de 5 a 9; 2,1% contra 1,9% de 10 a 14; e 1,5% contra 1,3% de 15 a 19 anos.

Um percentual maior de diagnóstico não é a mesma coisa que mais autismo. Onde há mais serviço de avaliação, mais gente recebe diagnóstico — e o Censo não permite separar as duas coisas. Entre os estados, o maior percentual do País é o do Acre (1,6%) e o menor é o da Bahia e do Tocantins (1,0%), o que torna a leitura simples do mapa pouco confiável.

Na escola, a proporção é ainda maior

Entre os cerca de 45,7 milhões de estudantes de 6 anos ou mais do País, 760,8 mil tinham diagnóstico de autismo — 1,7% dos estudantes, contra 1,2% da população em geral. Faz sentido: o diagnóstico se concentra justamente na idade escolar. Na prática, é a escola que convive com a maior parte desses casos.

TDAH: aqui não existe contagem, existe estimativa

Esta é a diferença mais importante desta página. O Censo pergunta sobre autismo; sobre TDAH, não pergunta. Não há número contado — há a estimativa que o Ministério da Saúde adota no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do transtorno, aprovado pela Portaria Conjunta nº 14, de 29 de julho de 2022.

7,6%em crianças e adolescentes de 6 a 17 anosMinistério da Saúde · PCDT 2022
5,2%em pessoas de 18 a 44 anosMinistério da Saúde · PCDT 2022
6,1%em pessoas acima de 44 anosMinistério da Saúde · PCDT 2022

O mesmo documento registra a prevalência mundial em crianças e adolescentes na faixa de 3% a 8%, variando conforme o sistema de classificação usado, e entre 2,5% e 3% na idade adulta. Vale ler a formulação do próprio protocolo com atenção: ele fala em pessoas apresentando sintomas de TDAH. Sintoma rastreado não é diagnóstico confirmado, e essa distância é grande.

A tabela completa

Os mesmos dados dos gráficos, faixa a faixa, para quem quiser conferir ou citar. Os valores foram conferidos em duas fontes independentes do próprio IBGE — a publicação em PDF e a API do SIDRA — e são idênticos nas duas.

Percentual de pessoas com diagnóstico declarado de autismo, por sexo e grupo de idade. Brasil e estado do Rio de Janeiro, 2022. A linha de 5 a 9 anos está destacada por ser a de maior percentual do País.
Faixa etáriaBrasilHomensMulheresRio de JaneiroPessoas (Brasil)
Total1,2%1,5%0,9%1,3%2.405.337
0 a 4 anos2,1%2,9%1,2%2,3%263.106
5 a 9 anos2,6%3,8%1,3%2,8%350.942
10 a 14 anos1,9%2,7%1,0%2,1%254.821
15 a 19 anos1,3%1,8%0,9%1,5%191.185
20 a 24 anos1,0%1,2%0,8%1,2%155.960
25 a 29 anos0,9%1,0%0,8%1,1%141.646
30 a 34 anos0,9%0,9%0,8%1,0%134.615
35 a 39 anos0,9%0,9%0,8%1,0%137.218
40 a 44 anos0,8%0,9%0,8%1,0%136.330
45 a 49 anos0,9%0,9%0,9%1,1%117.910
50 a 54 anos0,9%0,8%0,9%1,0%108.711
55 a 59 anos0,9%0,9%0,9%1,0%106.059
60 a 64 anos0,9%0,9%1,0%1,1%94.216
65 a 69 anos1,0%0,9%1,0%1,0%75.748
70 anos ou mais1,0%1,0%1,0%

A faixa de 70 anos ou mais aparece agregada na Tabela 12 da publicação do IBGE, que a divulga apenas para o Brasil; no SIDRA ela vem subdividida em faixas de cinco anos. Por isso a coluna do Rio de Janeiro e a de pessoas ficam vazias nessa linha — o número existe, mas exigiria um cálculo que não é o publicado pelo IBGE.

O que estes números não dizem

  1. Os dados do IBGE são preliminares. A publicação se chama Resultados preliminares da amostra e os percentuais foram estimados a partir de áreas de ponderação também preliminares. Podem mudar.
  2. É diagnóstico declarado, não avaliação feita. O IBGE perguntou se alguém do domicílio já havia sido diagnosticado por um profissional de saúde. Quem nunca foi avaliado não aparece na conta — e o platô de 0,9% na vida adulta provavelmente conta parte dessa história.
  3. Prevalência de diagnóstico não é prevalência da condição. Um lugar com mais serviço de avaliação tende a contar mais casos. O Censo não separa as duas coisas, e nenhum recorte desta página permite concluir onde há mais autismo.
  4. O número de TDAH é estimativa de sintomas, não contagem. Não existe levantamento censitário de TDAH no Brasil. Os 7,6% são a estimativa adotada pelo protocolo oficial, com a ressalva que o próprio protocolo faz.
  5. Números de outros países não são números do Brasil. Circulam muito por aqui as estatísticas do CDC norte-americano, do tipo “1 em cada 31 crianças”. São dados dos Estados Unidos, produzidos por outra metodologia, e não descrevem a população brasileira. Nesta página eles não entram.

Um número nunca descreve uma criança

Prevalência é uma medida de população. Ela não aumenta nem diminui a chance do seu filho, e nenhum percentual desta página serve para confirmar ou afastar uma hipótese. O que responde a uma preocupação concreta é a avaliação individual — que investiga hipóteses, e não o contrário.

Se a sua dúvida começou por um comportamento que você observa em casa ou por um recado da escola, estes textos foram escritos exatamente para esse ponto de partida: a partir de que idade dá para avaliar, como funciona o diagnóstico de autismo, por que o TDAH passa despercebido em meninas e o que a escola é obrigada a fazer com um relatório na mão.

Fontes e método

Cada número desta página foi aberto na fonte original em 7 de setembro de 2026. Os dados de autismo foram conferidos duas vezes, em fontes independentes do próprio IBGE — a publicação em PDF e a API do SIDRA —, e os valores coincidem em todas as faixas etárias.

  • IBGE. Censo Demográfico 2022: pessoas com deficiência e pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista — resultados preliminares da amostra. Rio de Janeiro, 2025. Publicação completa em PDF · ficha na Biblioteca do IBGE.
  • IBGE. SIDRA, tabela 10145 — População residente, total e diagnosticada com autismo, por sexo e grupo de idade. Consultar a tabela. O recorte do estado do Rio de Janeiro foi obtido nessa tabela.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, aprovado pela Portaria Conjunta nº 14, de 29 de julho de 2022. Documento oficial.

O que não entrou, e por quê. A mesma estimativa de TDAH circula atribuída a uma notícia de 2022 no portal do Ministério da Saúde. Na conferência feita para esta página, aquele endereço respondeu, mas devolveu uma página vazia, sem uma única menção ao transtorno. Por isso a fonte citada aqui é o protocolo clínico, que é o documento normativo e traz os mesmos números. Também ficaram de fora as estatísticas do CDC norte-americano, por não descreverem a população brasileira.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas têm autismo no Brasil?

O Censo Demográfico 2022 do IBGE contou 2.405.337 pessoas que declararam ter recebido diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, o equivalente a 1,2% da população residente. Foi a primeira vez que o Censo brasileiro investigou o tema. Os resultados são preliminares e medem diagnóstico declarado pelo morador, não avaliação feita pelo IBGE.

Qual é a prevalência de autismo no Rio de Janeiro?

No estado do Rio de Janeiro, 214.637 pessoas declararam diagnóstico de autismo — 1,3% da população do estado, acima da média nacional de 1,2%. O Rio fica acima do Brasil em todas as faixas etárias da infância e da adolescência: 2,3% de 0 a 4 anos, 2,8% de 5 a 9, 2,1% de 10 a 14 e 1,5% de 15 a 19 anos.

Por que há mais meninos do que meninas com diagnóstico de autismo?

O Censo mede quem recebeu diagnóstico, e nessa medida a diferença é grande: entre 5 e 9 anos, 3,8% dos meninos e 1,3% das meninas — quase três vezes mais. O que essa diferença diz sobre a ocorrência do autismo é objeto de pesquisa, não de contagem. O que o dado mostra com segurança é que meninas recebem menos diagnóstico na infância; a diferença entre os sexos praticamente desaparece a partir dos 45 anos.

Quantas pessoas têm TDAH no Brasil?

Não existe contagem. Diferente do autismo, o TDAH não é investigado pelo Censo. O que existe é estimativa: o Protocolo Clínico do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria Conjunta nº 14 de 29 de julho de 2022, adota 7,6% em crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, 5,2% entre 18 e 44 anos e 6,1% acima de 44 anos — e o próprio texto fala em pessoas apresentando sintomas.

Esses números servem para saber se meu filho tem autismo ou TDAH?

Não. Prevalência descreve população, nunca uma criança. Nenhum percentual desta página aumenta ou diminui a chance do seu filho, e nada aqui substitui avaliação. Se há uma preocupação concreta, o caminho é a avaliação individual — que investiga hipóteses e produz um documento para orientar escola e tratamento.

Uma preocupação concreta merece uma resposta individual

Se algo no desenvolvimento do seu filho está te preocupando, o caminho não é comparar com um percentual — é avaliar. Atendo crianças e adolescentes no Recreio dos Bandeirantes e online.

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