Escolher a psicóloga do filho é uma das decisões mais difíceis que uma família toma no escuro. Não dá para testar antes, o vocabulário é técnico e todo mundo no anúncio parece ótimo. Estas sete perguntas são as que eu faria se a criança fosse minha — e não têm nada a ver com quem fala mais bonito.
1. Você tem registro ativo no CRP?
É a única pergunta cuja resposta dá para conferir sozinho, em dois minutos, e por isso é a primeira. Todo psicólogo em exercício tem um número de registro no Conselho Regional de Psicologia, e a situação cadastral é consultável publicamente no site do conselho.
Não é desconfiança: é higiene básica. Profissional sério informa o número sem hesitar — o meu é CRP 05/79764 e está em todas as páginas deste site.
2. Qual é a sua abordagem, e por que ela para o meu caso?
Não existe abordagem melhor no absoluto. Existe abordagem que conversa com a queixa que você trouxe.
O que você está ouvindo não é a sigla — é se a profissional consegue explicar por que aquela escolha serve ao seu filho especificamente, em português que você entenda. Quem só consegue responder com jargão costuma não ter feito a tradução nem para si. Se quiser entender as diferenças, escrevi sobre TCC e psicanálise na infância, e sobre a minha metodologia.
3. Como você me inclui no processo?
Esta é a pergunta que mais separa experiências boas de experiências frustrantes. Terapia infantil sem participação da família tende a render pouco, porque a criança passa cinquenta minutos por semana no consultório e o resto da vida em casa.
O que ouvir: com que frequência haverá conversa com você, o que será compartilhado e o que fica protegido pelo sigilo da criança, e o que se espera que a família faça entre as sessões. “Depois eu te conto” não é combinado.
4. Como eu vou saber se está funcionando?
Terapia não é fé. Antes de começar deveria existir um acordo sobre o que se espera mudar e em quanto tempo se espera ver algum sinal — nem que o combinado seja “vamos reavaliar em oito semanas”.
Cuidado com dois extremos: quem promete resultado rápido e garantido, e quem não aceita nenhuma pergunta sobre progresso. Os dois tiram da família o direito de avaliar o próprio investimento.
5. Você conversa com a escola e com o médico?
Criança não vive só no consultório. Boa parte do resultado depende de a escola saber o que fazer na segunda de manhã e de o médico ter a informação certa quando decide conduta.
Profissional que trabalha isolado deixa a família com o trabalho de traduzir tudo para todo mundo — e a família já está sobrecarregada. Vale perguntar também como funciona o encaminhamento quando o caso pede médico: escrevi sobre essa fronteira em psicólogo e neuropediatra.
6. Como funcionam valor, falta e reajuste?
Dinheiro combinado no início evita ruído no meio do tratamento, quando o vínculo já existe e falar fica constrangedor. Pergunte tudo de uma vez: valor da sessão, política de falta e cancelamento, frequência de reajuste, se emite recibo e o que consta nele, e se há cobrança por relatório ou por reunião com a escola.
Se o plano de saúde entra na conta, o artigo sobre reembolso de psicólogo mostra o fluxo e a papelada. Para o custo de uma avaliação, a faixa e as fontes estão em quanto custa uma avaliação.
7. E se não for com você?
A resposta a esta pergunta diz mais sobre a profissional do que as seis anteriores juntas. Vínculo não se força, e nem toda dupla dá certo — isso não é fracasso de ninguém.
Quem trabalha bem responde sem desconforto: fala de encaminhamento, de rede, de casos que passou adiante porque não eram para ela. Quem reage mal a essa pergunta está sinalizando algo sobre como vai reagir quando você discordar de alguma coisa mais adiante.
O que pesa menos do que parece
- Número de pós-graduações. Formação continuada importa, mas lista de cursos não prevê vínculo com o seu filho.
- Consultório bonito. Conforto ajuda; decoração não é método.
- Tamanho da audiência nas redes. Comunicar bem e atender bem são habilidades diferentes.
- Ser o mais barato ou o mais caro. Preço sozinho não informa qualidade em nenhuma das duas direções.
O que pesa mais do que parece
Duas coisas, e nenhuma aparece em currículo. A primeira: como a profissional fala do seu filho depois de conhecê-lo. Descreve a criança ou descreve um rótulo? A segunda: como você se sente ao sair da primeira conversa. Família que sai julgada tende a não voltar — e a criança perde junto.
Se quiser saber com quem você estaria falando aqui, minha biografia tem a formação completa e as perguntas frequentes respondem a parte prática do atendimento.
Perguntas frequentes
Como sei se um psicólogo é registrado?
Todo psicólogo em exercício tem número de registro no Conselho Regional de Psicologia da sua região, e a situação cadastral pode ser consultada publicamente no site do conselho. Pedir o número é legítimo e esperado.
Quantas sessões até ver resultado?
Não há um número único: depende da queixa, da idade e da participação da família. O que deve existir desde o início é um acordo sobre o que se espera mudar e quando as duas partes vão reavaliar juntas.
Posso trocar de psicólogo se não me sentir à vontade?
Pode, e isso não é fracasso. Vínculo terapêutico não se força. O ideal é comunicar a decisão e pedir orientação sobre encaminhamento, para que a criança não fique sem continuidade.
Terapia online funciona para criança?
Depende da idade, da queixa e do arranjo em casa. Para algumas famílias o formato online viabiliza a continuidade; para outras, sobretudo com crianças pequenas, o presencial rende mais. Vale combinar isso na primeira conversa.
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